Bexiga Neurogênica

Por bexiga neurogênica entende-se a alteração do funcionamento vesico-esfincteriano (bexiga e uretra) decorrente de problemas neurológicos.
Normalmente, armazenamos urina na bexiga até que ao estar repleta temos a sensação de bexiga cheia e atraves de controle voluntário relaxamos o esfinter uretral e o musculo detrusor se contrais esvaziando-a completamente.

As condições normais de armazenamento urinário incluem:

  • Bexiga com capacidade normal, (aproximadamente 300 a 400 ml) propicinado intervalos confortáveis entre as micções de 3 a 4 horas.
  • Ao armazenar a urina tenha uma pressão intravesical baixa, permitindo os esvaziamento normal dos rins e ureteres.
  • Ausência de refluxo para os ureteres (que é o retorno da urina da bexiga para os rins, fato este anormal).

O mecanismo de esvaziamento vesical pressupõe a integridade de todos os elementos nele envolvidos. Uma bexiga que aceite o volume normal de urina, a baixas pressões, um mecanismo esfincteriano eficiente impedindo a perda de urina nos intervalos entre as micções mas que tambem relaxe adequadamente nos momentos do esvaziamento vesical. Assim sob controle do sistema nervoso, o maestro da micçào, a bexiga, se contrai, sincronicamente com o relazamento do esfincter uretral ocorrendo uma micção normal.

Causas:

  • Congênitas
  • Mielodisplasias
  • Agenesia sacral
  • Disrafismos medulares (lipoma, cisto, etc)

Adquiridas:

  • Trauma raqui-medular
  • Trauma craniano
  • Tumores cerebrais e medulares
  • Infecciosas (mielites, meningites)
  • Pós-cirurgias (vertebra, medula etc)
  • Degenerativas (diabetis, doença de Parkinson)

Classificação:
Uma forma prática de classificá-la segue abaixo:

2.1. Bexiga Neurogênica Hiperreflexa

  • Associada a lesão medular supra-sacral ou centros superiores. Exemplos: esclerose múltipla, doença de Parkinson.
  • Pode apresentar-se com incordenação vesical e esfincteriana (bexiga-uretra) chamada de dissinergia vesico esfincteriana.

2.2. Bexiga Neurogênica Flacida (Arreflexa)

  • Associada a lesão medular a nível sacral ou lesão neurológica periférica
  • Pode apresentar-se com dissinergia vesico esfincteriana
  1. Sintomas
    Principais sintomas:

Incontinência Urinária

  • por hiperratividade vesical
  • por transbordamento
  • por insuficiência esfincteriana

• Dificuldade ou Retenção Urinária

• Alterações motoras e sensitivas

• paralisia
• deficit de sensibilidade

3.1. Diagnóstico:
• História clínica
• Exame físico neurológico
• Ultrasonografia
• Estudo Urodinâmico (o mais importante)

  1. Tratamento
    É dirigido para o tratamento do distúrbio neurológico de base quando possível.

4.1. Objetivos:
• prevenção da função renal
• obter esvaziamento completo da bexiga
• obter a continência urinária socialmente aceitável
• eliminar a infecção urinária

4.2. Medidas terapêuticas:
a) Manobra de esvaziamento vesical (credé)
b) Cateterismo vesical intermitente
c) Medicamentos via oral:

• anticolinérgicos (Oxibutinina)
• miolíticos (Toxina Butolinica)

d) Bloqueio neurais
e) Estimulação elétrica / neuro modulação
f) Tratamento cirúrgico

• vesicostomias, esfincterotomias
• ampliação vesical, derivações urinárias, cirúrgia do refluxo etc.